Maria Betânia Monteiro - repórter
Cerca de cinquenta mil obras, entre livros e periódicos antigos, alguns deles datados do século dezoito, fazem parte do acervo da
Elisa Elsie
Instituto Histórico ainda aguarda por climatização e restauração

entidade cultural mais antiga do Estado. Fundado em 29 de março de 1902 o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHGRN não tem fontes de arrecadação próprias e é mantido por seus sócios colaboradores. Enfrentando problemas como falta de climatização e iluminação adequada para arquivar as obras antigas, o instituto é presidido de forma voluntária desde 1973 pelo advogado Enélio Petrovich e mantido pelo trabalho de funcionários emprestados pela Fundação José Augusto. Mesmo sem ter o que comemorar, a data dos 108 anos de fundação do IHGRN não passará em branco. Haverá uma noite aberta ao público a partir das 20h30, no pátio do instituto, onde ocorrerá a posse como sócia efetiva da pesquisadora Daliana Cascudo Robert Leite, que proferirá palestra sobre - A Biblioteca e o Acervo de Luís da Câmara Cascudo. Será saudada pela escritora e acadêmica Ana Maria Cascudo Barreto. Haverá também, um depoimento acerca da Instituição pela escritora e consócia Arisnete Câmara de Morais.
Fonte de pesquisa
Segundo consta na ata de criação do instituto, ele tem a função de promover a verdade histórica potiguar, colhidos em pacientes e constantes investigações. O objetivo, como revela Enélio, vem sendo mantido ao longo dos anos, tanto que se transformou na maior fonte de pesquisa sobre a história do Estado, algo conseguido com muito esforço e pouco incentivo do poder público, segundo diz seu presidente. “Temos pouca ajuda do Governo. O poder público não dá muita atenção a este tipo de instituição. Não temos ajuda efetiva, apenas contribuições esporádicas”.
O VIVER visitou o prédio histórico onde funciona o IHGRN e constatou a falta de iluminação e climatização adequada. O prédio não tem condicionadores de ar e a ventilação é garantida pelas janelas, que ficam abertas, facilitando a passagem do vento e da poeira. Conduzida por dois funcionários cedidos ao instituto, a reportagem entrou no arquivo onde são guardados as obras raras. O cenário não é muito diferente dos encontrados em outras instituições de preservação de materiais históricos do Estado. No arquivo não existe a adequação física necessária, mas difere das demais por não estar coberta por uma camada de poeira. As obras estão bem guardadas em móveis lustrados com cera. O ambiente é um verdadeiro simulacro de bibliotecas datadas do século dezoito. No ano passado o instituto passou quatro anos fechado para uma restauração viabilizada pelos recursos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.
Visitantes
O IHGRN não tem registros oficiais do número de visitantes, mas segundo o diretor o instituto é bastante procurado por pesquisadores e outros visitantes, que querem saber um pouco mais sobre a história do Rio Grande do Norte. “Foi feita a reforma hidráulica, elétrica e de outros itens relacionados a estrutura física do prédio”, disse o diretor. Segundo Enélio é necessário uma reforma de adequação para abrigar o acervo, mas ainda não foi possível por falta de financiamento. “Eu apelei, pedi ajuda, mas as providências não chegam a se concretizar pelas incertezas do poder público. Só um doido como eu consegue administrar uma entidade sem nem um apoio”.
Prédio ainda está no nome de doadora
O Memorial Oriano de Almeida e as bibliotecas de Antônio Soares Filho, Paulo Henrique Bittencourt, Raul Fernandes fazem parte do acervo do IHGRN e estão abrigadas num prédio anexo ao do instituto, que foi cedido pela jornalista Angélica Timbó. E o que era para ser uma simples doação ao patrimônio histórico e cultural do RN, passou a ser motivo de dor de cabeça para a jornalista. É que o prédio, permanece como sendo propriedade de Angélica, cabendo a ela o pagamento de alguns impostos. “Depois da doação ainda tive que pagar IPTU do instituto. A casa não foi passada para o nome do IHGRN, por falta atenção do poder público. É um descaso geral”, declarou Angélica Timbó em entrevista por telefone ao VIVER.
Posse
Mesmo com tantos problemas e o declarado descaso do poder público, pesquisadores, escritores e demais interessados atestam a importância do IHGRN, como o jornalista Woden Madruga. “O instituto é uma das grandes casas da cultura do RN. Lá está guardada a memória do nosso Estado. Memória de nossa terra e de nossa gente”. Segundo Woden, nenhum pesquisador fará uma investigação sobre fatos da política, da economia, e da história sem antes consultar o rico acervo do IHGRN. “O prédio é bonito por dentro e por fora. A prefeitura deveria proibir o tráfego de veículos na calçada do prédio. O lugar virou estacionamento de carros e ambulantes”.
Outro problema encontrado pelo instituto é o lento processo de restauração de obras antigas. Alguns destes livros, segundo o diretor, não podem ser colocados à disposição dos pesquisadores sob o risco de serem decompostos. O IHGRN mantem um setor de restauração, mas a demanda não pode ser atendida por dois motivos: número pequeno de funcionários e lentidão no processo de restauração (condição da própria ativiadade).
FONTE: TRIBUNA DO NORTE
Fonte de pesquisa
Segundo consta na ata de criação do instituto, ele tem a função de promover a verdade histórica potiguar, colhidos em pacientes e constantes investigações. O objetivo, como revela Enélio, vem sendo mantido ao longo dos anos, tanto que se transformou na maior fonte de pesquisa sobre a história do Estado, algo conseguido com muito esforço e pouco incentivo do poder público, segundo diz seu presidente. “Temos pouca ajuda do Governo. O poder público não dá muita atenção a este tipo de instituição. Não temos ajuda efetiva, apenas contribuições esporádicas”.
O VIVER visitou o prédio histórico onde funciona o IHGRN e constatou a falta de iluminação e climatização adequada. O prédio não tem condicionadores de ar e a ventilação é garantida pelas janelas, que ficam abertas, facilitando a passagem do vento e da poeira. Conduzida por dois funcionários cedidos ao instituto, a reportagem entrou no arquivo onde são guardados as obras raras. O cenário não é muito diferente dos encontrados em outras instituições de preservação de materiais históricos do Estado. No arquivo não existe a adequação física necessária, mas difere das demais por não estar coberta por uma camada de poeira. As obras estão bem guardadas em móveis lustrados com cera. O ambiente é um verdadeiro simulacro de bibliotecas datadas do século dezoito. No ano passado o instituto passou quatro anos fechado para uma restauração viabilizada pelos recursos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.
Visitantes
O IHGRN não tem registros oficiais do número de visitantes, mas segundo o diretor o instituto é bastante procurado por pesquisadores e outros visitantes, que querem saber um pouco mais sobre a história do Rio Grande do Norte. “Foi feita a reforma hidráulica, elétrica e de outros itens relacionados a estrutura física do prédio”, disse o diretor. Segundo Enélio é necessário uma reforma de adequação para abrigar o acervo, mas ainda não foi possível por falta de financiamento. “Eu apelei, pedi ajuda, mas as providências não chegam a se concretizar pelas incertezas do poder público. Só um doido como eu consegue administrar uma entidade sem nem um apoio”.
Prédio ainda está no nome de doadora
O Memorial Oriano de Almeida e as bibliotecas de Antônio Soares Filho, Paulo Henrique Bittencourt, Raul Fernandes fazem parte do acervo do IHGRN e estão abrigadas num prédio anexo ao do instituto, que foi cedido pela jornalista Angélica Timbó. E o que era para ser uma simples doação ao patrimônio histórico e cultural do RN, passou a ser motivo de dor de cabeça para a jornalista. É que o prédio, permanece como sendo propriedade de Angélica, cabendo a ela o pagamento de alguns impostos. “Depois da doação ainda tive que pagar IPTU do instituto. A casa não foi passada para o nome do IHGRN, por falta atenção do poder público. É um descaso geral”, declarou Angélica Timbó em entrevista por telefone ao VIVER.
Posse
Mesmo com tantos problemas e o declarado descaso do poder público, pesquisadores, escritores e demais interessados atestam a importância do IHGRN, como o jornalista Woden Madruga. “O instituto é uma das grandes casas da cultura do RN. Lá está guardada a memória do nosso Estado. Memória de nossa terra e de nossa gente”. Segundo Woden, nenhum pesquisador fará uma investigação sobre fatos da política, da economia, e da história sem antes consultar o rico acervo do IHGRN. “O prédio é bonito por dentro e por fora. A prefeitura deveria proibir o tráfego de veículos na calçada do prédio. O lugar virou estacionamento de carros e ambulantes”.
Outro problema encontrado pelo instituto é o lento processo de restauração de obras antigas. Alguns destes livros, segundo o diretor, não podem ser colocados à disposição dos pesquisadores sob o risco de serem decompostos. O IHGRN mantem um setor de restauração, mas a demanda não pode ser atendida por dois motivos: número pequeno de funcionários e lentidão no processo de restauração (condição da própria ativiadade).
FONTE: TRIBUNA DO NORTE